sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Sobre o fim de um mundo


Mais um fim de ano... Que era pra ter vindo, supostamente, acompanhado do fim do próprio mundo. Mas o dia amanheceu como qualquer outro - meio frio, meio nublado; nada fora do comum no que diz respeito ao Sul do Brasil. São pouco mais de quatro da tarde e alguns ainda parecem ter esperança de que tudo se acabe de vez ao anoitecer. Esperança, sim, porque eu sinto no ar um desespero coletivo de pessoas que quase anseiam por uma catástrofe qualquer. Pra mandar pelos ares o caos que já existe, independente de explosões nucleares ou alinhamentos estranhos no espaço. Esse caos disfarçado de normalidade que a gente só espia de soslaio todos os dias, nesse nosso medo irrefreável de encarar de frente o que somos e o turbilhão de coisas que não compreendemos.

E no fim das contas eu nem consigo decifrar direito a origem de tantas teorias e especulações. Falamos em sinais dos maias, em palavras de Nostradamus e tantos outros profetas de um final que é sempre trágico, mas nunca exato. E eu penso que há medo, mas que também há vontade. Que o drama de um mundo doente prenuncia e justifica as promessas de um universo finito mas que, mais do que isso, mora dentro de cada um de nós a vontade de sacudir a poeira e começar do zero. Se não é possível resetar nossa própria vida, tentemos com o mundo inteiro. Pois que onde há fim tem de haver, vez em sempre, um novo começo - eis aqui o que eu chamo, não tão inadequado, de esperança.

Eu hoje proponho, então, o fim do mundo no sentido figurado. Decreto o momento de cessar tudo aquilo que atrasa, que desmotiva, que empobrece nossa alma e impossibilita um amanhã mais satisfatório. Que seja não o fim do mundo, mas o fim de um mundo de sentimentos empoeirados e hesitações paralisantes. O fim da vontade de que chegue o fim do mundo. Quero um existir de gente que encara sua própria condição humana, suas catástrofes naturais e as tragédias diárias as quais acontecem dentro e fora de nós. Um mundo que busca aprender a lidar com suas imperfeições e impossibilidades e que entende, acima de tudo, a importância do tentar e não conseguir. Um mundo que não tenha medo de fracassar - por Deus! - pra depois levantar sabendo que está tudo bem. Que não é necessário implorar por soluções radicais pra se ter uma realidade nova e menos odiosa. Que a gente pode construir sem destruir no sentido literal (mas pondo abaixo, por favor, as milhares de construções que já estão em ruínas dentro de nós).

Eu quero um mundo que não trema diante de notícias tristes e perspectivas ruins, uma vez que essa ideia de felicidade plena é uma ilusão pouco palpável. E todos nós, lá no fundo, sabemos disso - mesmo quando corremos atrás dela à exaustão e esquecemos que o hoje, nessa correria, fica pra trás. E que ele não volta mais. Porque eu não sei de vocês, mas eu ando bem cansada de buscar esse "ser feliz" de novela e contos de fadas que na vida real nunca existiu.

Tenho aí em cima um belo conjunto de clichês típicos de Natal e Ano Novo. Mas eu quero um mundo que também abrace os clichês mais repetitivos. E não tenha medo - ah, o medo - de ser simples e piegas.

Um adeus, então, ao fim do mundo como o conhecemos. E um brinde histórico ao mundo que agora vamos construir e re-conhecer. Dessa vez, sem data marcada e sem calendários específicos: é todos os dias, o tempo todo.

E não tem fim.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

bobagem

dá vontade de mudar... eu que sempre tive medo. lembro do que eu era e dá saudade. desconheço o caminho que trilho e re-conheço (de conhecer de novo, outra vez) o que percorria antes. não é um passo atrás... é um pulo. enxergo por detrás do muro o qual circunda o que já foi - eu que construo muros ao redor de tudo o que é velho, só pra fugir do caráter milenar o qual assumo toda vez que junto os retalhos e reconstruo o que há de mais eu em mim. lembro que é a rotina e a ignorância do mundo o que faz com que eu me edite assim, pra me adequar sei lá ao que. e sinto falta do medo de pecar pelo clichê por já ter escrito demais, fazendo com que o mais absurdo dos sentimentos parecesse banal. eu que hoje falo de amor como se fosse novidade (e ontem inventava palavras pela incapacidade de explicar sentimentos intangíveis).

dá vontade de mudar. porque parece - tão terrível! - que voltar ao que se era seria evoluir. é feio, eu sei. mas é verdade.

pensei que sorrir era sinal de caminho certo... bobagem.

domingo, 27 de maio de 2012

e eu choro baixinho porque o mundo não explode e esse silêncio todo - que surpresa! - machuca.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Tudo o que eu não sei dizer


Eu não sei falar, só sei escrever. E mesmo quando escrevo tenho o costume desagradável de complicar - palavras bonitas pra esconder certas feiúras. Então eu vou tentar simplificar, pra que você talvez entenda um pedacinho do meu turbilhão de sentimentos incompreensíveis.

É assim: você aquece uma parte do meu coração que esteve congelada por muito, muito tempo. E com aquece eu quero dizer uma infinidade de coisas. Sabe quando você pisca várias vezes e abre aquele sorriso escancarado, me fazendo revirar os olhos e corar, com vergonha? E as coisas que você diz quando eu pergunto o motivo do riso repentino? Pois é.

É que a sua barba me faz cócegas e eu tenho essa coisa de pele sensível, você sabe. E eu acabo adorando em silêncio cada manchinha vermelha que o seu rosto causa no meu. Acabo adorando um monte de coisas estranhas que, sem amor, não seriam nem de longe adoráveis ou mesmo bonitas.

Mas com você tudo acaba sendo bonito - você também sabe. Tipo quando você torce junto comigo pra que não venha nenhum carro atrás do seu, pra gente poder se despedir direito na frente da minha casa. E quando eu venho andando, sozinha, fico pensando na gente. Em como é bom andar sozinha sabendo que, a qualquer momento, eu posso ligar pra você e andar de mãos dadas com alguém que já superou todos os sentidos da palavra "especial". Mas eu nem sempre quero... É que você me ensinou, talvez sem querer, que andar sozinha é tão bom quanto andar de mãos dadas. Porque não é muito física essa coisa de dar as mãos, né? Eu tenho percebido que dar as mãos é na verdade uma coisa bem de dentro - de um cantinho do peito que sequer braços tem, se você quer saber.

Porque você merece tudo de mais puro que eu venho guardando há tanto tempo. Nem é tanta coisa assim: eu sei ser bem sem graça e acabo diluindo minhas qualidades com o passar do tempo, bem sei. Mas é tudo o que eu consegui e quis guardar. E eu diria que guardei pra você, pro dia em que eu encontrasse alguém como você; que escolhi te dar. Mas seria mentira, sabe? Eu não escolhi coisa alguma desde que cheguei nessa cidade colorida. Dei um passo a frente e Deus fez o resto: trouxe você, trouxe todos esses sonhos... E trouxe também a parte difícil, por vezes dolorosa, a qual deve fazer parte de todo o processo complicado que é mudar. E é tão bom que eu possa usar essa palavra - Deus. Porque você também acredita e também agradece. Você reza junto comigo, de mãos dadas - dessa vez fisicamente -, quando eu sinto medo e vontade de chorar. Isso também é bem bonito e eu penso, às vezes, que nunca mais vou ver algo feio demais, agora que você faz parte dos meus dias.

Eu tenho medo de te assustar, assim como sempre temi assustar a mim mesma. Mas eu olho pra você e parece que não importa. Não importa que eu seja assim meio virada do avesso, que eu chore sem motivo, que eu olhe pra trás e tenha certa saudade da velha vida, às vezes... Porque você faz parte de tudo isso com um sorriso e uma vontade de viver a qual me contagia tanto, tanto... E mesmo quando eu não suporto a vida e choro, é no seu ombro que eu encontro a cura pra essa minha ânsia de viver o que não tenho. Não de um jeito clichê, pontuado pelo tom enjoativo de um romance piegas. Seu ombro é um lugar concreto onde eu aprendo a encarar minhas partes mais feias e fugir da solidão de um banheiro qualquer, refúgio angustiante de outrora. Você me fez prometer que eu não esconderia mais minhas lágrimas no espelho. Se eu consigo? Nem sempre. Mas é só com você que eu tenho vontade de tentar.

Quando eu te olho e rio sozinha você sempre pergunta o que foi. E eu sempre respondo: "você". Penso que isso é suficiente.

É que como eu me enxergo muito bem por dentro (apesar de quase nunca compreender o que enxergo), fico achando que é só eu dizer coisas simples - tipo "você", "a gente", "isso tudo" - e você também vai ser capaz de ver. Vai ser capaz de entender que quando eu digo "você" eu quero dizer, na verdade, bem assim: o que me faz rir é essa sua capacidade de aquecer uma parte do meu coração que esteve congelada por muito, muito tempo. E que com aquecer eu quero dizer mais uma infinidade de coisas difíceis, quase impossíveis de se explicar. Mas que são tão bonitas, tão.