quarta-feira, 16 de novembro de 2011

"Não ao plágio" ou "O dia em que meu nome passou a ser Maíra Fernandes"

por Isadora Cecatto
"Meu nome é Isadora Cecatto, sou autora do blog http://isacecatto.blogspot.com/, criado no ano de 2008 e utilizado até os dias de hoje. No meu blog eu publico pensamentos e sentimentos pessoais, traduzidos em forma de contos, crônicas e ensaios em geral. Às vezes, atipicamente, você pode encontrar nele alguma citação, parte da obra de outro autor que não eu mesma. Nesse caso, o texto surge entre aspas e é creditado, ao final, a quem o escreveu. O contrário também já aconteceu: alguns amigos e leitores costumam, às vezes, postar em suas redes sociais ou blogs trechos das coisas que eu escrevo. Como pessoas sensatas, usam também as aspas e o meu nome no final. Isso me faz sentir honrada e feliz.

Acontece que no dia 14 de novembro desse ano, 2011, eu tive uma pequena surpresa. Encontrei, por puro acaso, o blog de uma menina chamada Maíra Fernandes, no endereço http://nossaslinhastortas.blogspot.com/, criado em abril desse mesmo ano. A garota descreve a si mesma como "poeta nas horas vagas", deixando claro que os textos ali publicados são seus e jamais citando o nome de quem quer que seja. Mas o que eu encontro? Oito publicações com conteúdo de minha autoria, em sua maioria na íntegra, bem como algumas com poucas alterações e acréscimos. Os meus textos. Coisas que eu compus pra pessoas específicas, em situações e dias específicos. Frutos da minha paixão pela literatura e do meu crescimento como escritora ao longo de muitos anos de expôr sentimentos no papel e, com o passar do tempo, na tela do computador. Como se não bastasse, os perfis do orkut e do facebook da menina contêm um desses textos, por sinal pertencente ao grupo dos meus favoritos. Novamente sem meu nome, sem aspas, sem qualquer referência que leve ao meu blog ou a mim. Isso me faz sentir desrespeitada e infeliz.

Alguns me disseram pra esquecer o assunto. Que não valia a pena se estressar com isso, que eu deveria me sentir honrada por gostarem do que eu escrevo ao ponto de copiar. E foi aí que, na continuação das minhas pesquisas, descobri que a Maíra não se contentava em plagiar só a mim: várias publicações consistiam em textos do blog de uma grande amiga: a Stephanie, do http://dessajanela.blogspot.com. Indo mais fundo na coisa toda, percebi que se há dois ou três textos de autoria da própria Maíra em seu blog, é muito. Outros blogs, de pessoas que eu sequer conheço, também foram vítimas de plágio. E eu resolvi que não bastava tirar o site dela do ar (coisa que o servidor do blogspot.com faz em menos de 48h, depois de conferir os links referentes à quebra de direitos autorais). Lembrei que plágio é crime e que a impunidade não deve predominar.

Por falar em crime, aliás, descobri também que Maíra Fernandes é estudante de Direito na Universidade Federal de Minas Gerais. E eu me pergunto se ela já teve acesso às matérias que falam de crimes na internet, um assunto tão discutido e tão popular nos dias de hoje. Se ela sabe que o plágio pode levar ao pagamento de multas ou mesmo de penas mais graves e complicadas. Que copiar sem autorização pode levar até à prisão. Os que não valorizam esse tipo de coisa podem discordar, mas a verdade é simples: roubar um texto é como roubar qualquer outra coisa. Você arranca um quadro da parede de alguém, rabisca seu nome no cantinho e expõe em sua própria sala pra todo mundo pensar que você sabe pintar?

As pessoas estão acostumadas a pensar que internet é terra de ninguém, como me disse uma amiga. Que o conteúdo o qual elas encontram em sites, blogs e redes sociais por aí pode ser utilizado livremente e sem consequências. E isso passa bem longe da verdade.

O meu texto mais reproduzido pela Maíra se chama "escreve". Ele diz, logo nas primeiras linhas, que o meu único conselho possível nesse mundo de opiniões incansáveis se resume em um apelo: que as pessoas escrevam. Eu disse escrevam, e não copiem. É irônico ver isso reproduzido em um blog que não passa de puro plágio.

O meu apelo agora é outro: creditem! Se você gosta do trabalho de alguém, se identificou com o que outra pessoa escreveu, seja uma música famosa ou um texto desconhecido de blog, fique à vontade pra publicar e dividir com seus amigos. Mas não se esqueça, por favor, de acrescentar o nome do autor no final. E de avisar, quando possível, que você está compartilhando no seu site ou onde for. Dessa forma você não desvaloriza o trabalho de ninguém, tampouco dá créditos a alguém que não os merece.

O meu blog é só um dos milhares que sofrem desse mal todos os dias. E a Maíra é apenas mais uma entre tantas pessoas que, por incapacidade de produzir algo sozinhas ou pura preguiça, pegam a obra de terceiros e a utilizam como bem entendem. Vamos acabar com isso?

Me ajude a espalhar essa mensagem se você é contra o plágio e a violação dos direitos autorais. Por um mundo mais criativo e pelo fracasso dos espertinhos.

Site com as imagens dos textos plagiados e dos originais: https://picasaweb.google.com/isacecatto/Plagio#

Isadora Cecatto, 16 de novembro de 2011"
 
 
- texto publicado e fortemente compartilhado via Facebook

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Mosaico

"Eu sou sozinha alguma coisa que, mesmo não sendo inteira, é completa. O ar se adapta a mim. Bem como as pessoas, as coisas. E eu me adapto a eles com certa facilidade, da mesma forma. Existe algum tipo de mecanismo o qual me permite estar à vontade em quase todas as situações do mundo, com todos os tipos de pessoas e seus pensamentos singulares. Eu gosto de conversar e de conviver com as diferenças. Gosto de respeitar e da automaticidade com que sou respeitada em retribuição. Me agrada o meu próprio lado universal, sempre adequado. É tão bom ser aceita e aceitar - desse jeito natural, tão simples... De quem sorri pra vida por saber que há algo especial em cada cantinho de mundo e de gente"



14 de agosto de 2011, 00h40 ~ casa de um amigo, Rio de Janeiro.