sábado, 16 de outubro de 2010

sunday morning

O metrô chega em um minuto e eu embarco imersa em pensamentos, quase ignorando o "mind de gap" incessante que ficou gravado no meu cérebro desde a primeira semana nessa cidade. Não tem lugar vago e eu permaneço, dessa forma, em pé, ouvindo com atenção o ranger alto do metal do trem indo de encontro ao dos trilhos provavelmente muito velhos. Lembro que eu imaginava o tube como uma coisa silenciosa e dou risada de mim mesma, em meio ao barulho ensurdecedor.

Uma, duas, três estações. Paro de contar as paradas e no que me parecem mil anos depois, chego à Camden Road. Desço sem pressa e sigo o fluxo pelo way out sem sequer pensar. Escadas rolantes, stand on the right, uma curva aqui, outra ali, oyster card liberando catracas... e pronto. Ar puro, estou na rua. O sol insiste em abrir passagem por entre as nuvens e eu o admiro por isso - ir contra o cinza inquebrável do céu londrino é coragem pra poucos. Mas de certa forma eu andava aprendendo a imitar o sol.

Me perco em meio à multidão de Camden Town como se fizesse parte daquilo e até que me sinto como tal. Reconhecer um lugar estando tão longe de casa tem desses confortos, eu creio. Por mais que só tivesse estado lá por três vezes antes, caminhar sabendo pra onde ir e ignorar o mapa no bolso do casaco sabia ser confortante. Até dava pra sorrir pro tio brasileiro que vende pizza na rua principal e lembrar com graça de quando fiz o pedido em inglês, na semana anterior. Por mais que ele não fosse se lembrar de mim, vê-lo ali em mais um domingo era como me afastar um pouco das incertezas de se estar sozinha em um lugar tão grande.

Penso em seguir em direção à barraquinha onde fazem milkshake de Kinder Bueno mas, embora eu salivasse só de pensar, percebo que não tenho certeza a respeito do caminho até lá e fico com o lado seguro do meu dia até então equilibrado. Encaro, então, a primeira ruelinha à esquerda onde os bancos são metades de motos de um jeito alternativo e bonitinho. Passo pelo restaurantezinho de comida brazuca e resisto à tentação de parar pra comer um pão de queijo ou tomar um guaraná, mas não sem sorrir à menina que trabalha lá, a qual também não deve fazer ideia de quem eu sou. Grande coisa. Eu também me esqueço às vezes.

Eu gosto quando sorrir aqui é assim tão fácil.

original em http://isadoranaeuropa.blogspot.com

3 comentários:

Gab disse...

belezinha hein

jú disse...

e eu gosto tanto de te ver assim leve. dias tranquilos etezinha, mesmo quando cinzas.. sorriso solto daquele jeito :)

ASs* disse...

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