quarta-feira, 16 de junho de 2010

esquece

então me explica essa coisa que engole e engole sem parar o tempo todo, que não sacia jamais, que não cala, que não adormece, que me impede de respirar e sequer encosta em mim pra isso. me explica do que eu sinto falta quando tudo deveria ser suficiente de alguma forma. explica o motivo de há tanto tempo as palavras estarem parecendo fracas, miúdas, manchadas de uma tinta preta que não se chama sinceridade. me explica qualquer coisa, vai. é tudo tão incompreensível aqui que mesmo a tradução daquela música já vale.

e se a neve for mais melancólica do que bonita? e se essa falta que ele me faz não for temporária? pior ainda, e se ela for? e se eu acordar numa manhã de inverno e o amor tiver ido embora? e se essa minha intensidade incontrolável voltar a dizer respeito apenas ao meu íntimo cheio de fraquezas e auto-insuficiências? quando não houver mais um "ele" pra que eu me sinta segura dentro de mim, pra onde vou correr?

dói saber que isso tudo vem de tanto tempo. saber que não é ele, que não é a vida, que não são as decepções e as mudanças loucas que estão por vir. dói saber que sou eu, sem mais. eu e a minha inconstância que não cessa por nada.

sinto falta do abstrato que é decifrar o coração em palavras, mas sinto nojo também. queria saber expôr o que eu sinto sem essa poesia imperfeita que se faz presente mesmo quando nada sai direito.

quem diabos eu sou e quem diabos eu quero ser?
não quero aquela menina estúpida e melancólica de volta. mas também não quero essa mulher que aparenta frieza enquanto desmorona por dentro. só queria um colo e uma xícara de chá. com bastante açúcar e o beijo dele pra me consolar. por mais errada e insuficiente que a união dos nossos lábios possa ser. e não é nada disso também... esquece.

2 comentários:

George Luis disse...

sofra. diga o que quiser. menos que a tua poesia é imperfeita.

GUINA disse...

DEUS!


Quanta inquietude no homem!
tantos planos, projetos, ideais;
e o homem é tão insignificante
tão pequeno e tão mesquinho


Ante à excelência e plenitude
das tuas benditas pretenções
dos teus desejos tão sublimes
que o homem, sequer, enxerga


Então, pasmo, fito encantado
com a fala das pétalas da flor
do floral que há sobre o mar...


E o homem alheio a tudo isso
tudo isso falando eternamente
em línguas de alta plenitude!

Guina