quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

what goes around, comes around.

A gente pode aprender tudo, sabe? Muita coisa mesmo.

Aprendemos a endurecer o olhar, a firmar o passo, a sorrir querendo chorar. Aprendemos a mentir, a omitir, a manter os olhos abertos. Descobrimos que fechar os olhos é uma boa ideia quando aquela lágrima insiste em habitar o canto do olho, pronta pra cair. Achamos rapidinho um jeito de, discretamente, enfiar os dedos - jamais trêmulos - ali e limpar com mestria o ingrato sinal de que ainda somos, de alguma forma, fracos por dentro.

A gente pode aprender quase tudo, na verdade.

Não é difícil pisar em alguém. Não é difícil dar rasteira, cutucar, humilhar. Diria até que é fácil ser alguém odiável e seguir sorrindo, sem sinal externo de culpa ou pudor. Se quisermos, a gente pode até gargalhar da desgraça alheia. Da desgraça que nós mesmos, tão frios, tão grandes, ajudamos a causar. E isso não necessariamente nos faz dar um passo pra trás.

É só que, uma vez seres humanos, somos também sensíveis. Burlar sentidos pra não deixar transparecer o que o coração carrega é tarefa digna de qualquer babaca por aí, sei bem. Mas tem uma coisa que a gente nunca, nunca mesmo, vai aprender a evitar: a dor.

Consciência não é a capacidade de arrependimento de cada um. É aquilo que pesa na cabeça e no coração mesmo que você seja uma pessoa horrível, de um jeito ou de outro: se você não se importa, se você não sente remorso, você vai sentir só dor. Pura, concentrada, inevitável. Sem que você perceba, ela vai tomando conta e não pára. Porque você é gente, como aqueles que você ignorou. Você é tão humano quanto a pessoa enganada ontem, pela qual não há pena ou mesmo compaixão da sua parte. A matéria que o compõe não é diferente da que compõe todos nós.

Então tenta dormir, sabe? Vai lá, encosta a cabeça no travesseiro, faz da tua falta de caráter o casulo perfeito pra encobrir os teus defeitos, as tuas falhas, a tua deslealdade incontrolável. Sorri à vontade das tuas mentiras, omissões e distorções. Engana a todos com essa carcaça de força indestrutível e felicidade plena. Um dia, meu amigo, a vida traz pra perto, bem pertinho, uma dor tão grande que você não vai sequer ser capaz de compreender.

Não é vingança de Deus, do destino ou seja lá o que acreditas ser a verdade por trás do andamento do mundo. Não é praga minha nem desejo íntimo. É você. É o ciclo, é o universo, é a energia inevitável que envolve todos ao seu redor. É a justiça divina, universal, do amor, do planeta, sei lá. É justiça, mesmo que tardia. Ela alcança todo mundo, cedo ou tarde.


Plantar amor e verdade é sempre mais inteligente que correr e atropelar a tudo e a todos. Demora pra crescer, é difícil regar, mas é um fruto muito menos efêmero que o que você vai colher um dia. E eu vou estar lá pra assitir.


what goes around, comes around.

2 comentários:

.teka disse...

foda. só isso.

Beatriz Althoff disse...

Ta, não sabia que dava pra sentir tantas sensações diferentes em menos de 5 minutos.Eu sempre acabo sentindo contigo,porque heim?
Obrigada sim.E sempre et!Não para nunca,que eu continuo junto.