segunda-feira, 23 de novembro de 2009

feliz ano novo (?)

Mais um ano voou e eu mal me dei conta. A vida soa agora como uma surpresa agradável e simples, semelhante àquela brisa leve numa segunda-feira modorrenta qualquer. Observo da janela o dia cinza, quase sombrio, sem que se cale o riso discreto e sóbrio em meus lábios secos de ar-condicionado. A essência das coisas parece mais indecifrável quanto mais o tempo passa.

De vez em quando estremeço, pesada. Dias em que o sol queima por dentro no lugar de dourar a pele e fazer brilhar o olhar. Mas aí vem você. Segura minha mão com força sem sequer perceber. Vem e nem mesmo sabe do efeito entorpecente trazido por sua chegada. Dias onde a chuva, lenta e suave, deságua sobre meus cabelos e encharca o peito sem dó. E o aguaceiro leva embora a dor de chorar sozinha sob a ironia petulante do sol.

Ano novo começa lá dentro, numa data secreta que só a gente sabe. Como se a gente fosse, cada um, um Japão qualquer. O outro lado de algum mundo.