quinta-feira, 29 de outubro de 2009

calor e sorriso

Perdi a conta de quantas vezes sentei em frente a uma folha em branco nos últimos tempos, sem que escrevesse nada. Hoje eu entrei em uma livraria sozinha, costume outrora frequente, e a música nas caixas de som soava lenta como as que sempre me fizeram pulsar. John Mayer, eu creio. Alguma das da lista antiga no velho iPod encardido.

Pra escrever é preciso solidão? Necessário que se tenha apenas a companhia do grafite quebradiço e do papel ainda nu?
Quando a inconstância de uma vida vazia de afeto me era íntima, eu era capaz de rabiscar o mundo diante de qualquer sol a brilhar um pouquinho demais. E agora, desde que tenho em minha mão a de outrém, qualquer fim de música atrapalha a intensidade, essa que hoje só escorre com dificuldade de meus dedos com unhas ineditamente bem-feitas.

Quando o mundo me pede pra escolher entre a amargura de ter inspiração, mas ver a mim mesma como poeira diante da impossibilidade do amor, ou deixar que a poesia se vá pra sentir o abraço dele a espantar o frio do meu peito, o que fazer?

Enquanto houver sorriso, dou adeus ao mundo das palavras mágicas sem pestanejar. Mas um coração aquecido não seria suficiente pra me manter longe disso tudo quando imersa em tristeza e solidão a dois.

Me faz sorrir pra sempre e eu não cobro do mundo o dom arrancado. Não solta da minha mão e felicidade tatua a pele pra não ir embora jamais.

24 de outubro de 2009, às 18h51min de um relógio adiantado.

3 comentários:

Fernanda Azevedo disse...

É... Como bem dizia Vinicius de Moraes: "pra fazer um samba com beleza é preciso um pocado de tristeza".
É muito mais fácil escrevermos quando estamos com tantas angústias dentro de nós!

Mas vc escreve bem de todas as formas! hahaha

Te amo, Isinha!

Bjooos

beatriz jorge disse...

baby, eu sou o tipo dependente das malditas palavras. sempre foi a minha melhor forma de encontrar a paz interior: exteriorizando o próprio coração. Depois dos nossos ensaios de alguma forma eu passei a exteriorizá-lo por outras formas de arte que não envolviam meu bloco de notas, e eu precisei de 4 meses, de semi-abstinência, até que consegui mudar tudo o que eu tinha escrevido a vida toda; ao invés de tormentos, estou aprendendo a botar pra fora as calmarias. O último rabisco do meu blog é o primeiro que não é fruto de completa agonia, e é outro caminho, outro mundo da literatura, que também pode ser maravilhoso. Não se preocupe com os possíveis 'brancos' e inspire-se no que realmente te faz feliz; as palavras fluirão como sempre, só um pouco mais suaves. Espero ler doces deleites de uma maré calma aqui em breve, meu amor! um beijo da sua dupla

Edgard ♠♦O Pierrot♥♣ Antonello disse...

Um viva para aqueles que sorriem, uma folha em branco para aqueles que já sorriram! Enviem-me uma resma em sua íntegra e terás pedaços inacabados de contos infinitos. Preciso, conciso... Soberbo.

Se tiveres um tempo livre visites minha "Instável Letargia" e conceda-me uma opinião que tanto almejo e poucos tem.

A muito não o faço, mas mereces...

Aplausos do Pierrot.