quinta-feira, 29 de outubro de 2009

calor e sorriso

Perdi a conta de quantas vezes sentei em frente a uma folha em branco nos últimos tempos, sem que escrevesse nada. Hoje eu entrei em uma livraria sozinha, costume outrora frequente, e a música nas caixas de som soava lenta como as que sempre me fizeram pulsar. John Mayer, eu creio. Alguma das da lista antiga no velho iPod encardido.

Pra escrever é preciso solidão? Necessário que se tenha apenas a companhia do grafite quebradiço e do papel ainda nu?
Quando a inconstância de uma vida vazia de afeto me era íntima, eu era capaz de rabiscar o mundo diante de qualquer sol a brilhar um pouquinho demais. E agora, desde que tenho em minha mão a de outrém, qualquer fim de música atrapalha a intensidade, essa que hoje só escorre com dificuldade de meus dedos com unhas ineditamente bem-feitas.

Quando o mundo me pede pra escolher entre a amargura de ter inspiração, mas ver a mim mesma como poeira diante da impossibilidade do amor, ou deixar que a poesia se vá pra sentir o abraço dele a espantar o frio do meu peito, o que fazer?

Enquanto houver sorriso, dou adeus ao mundo das palavras mágicas sem pestanejar. Mas um coração aquecido não seria suficiente pra me manter longe disso tudo quando imersa em tristeza e solidão a dois.

Me faz sorrir pra sempre e eu não cobro do mundo o dom arrancado. Não solta da minha mão e felicidade tatua a pele pra não ir embora jamais.

24 de outubro de 2009, às 18h51min de um relógio adiantado.