quarta-feira, 4 de março de 2009

Contos de qualquer estação - Oitavo

Não é pela tua ausência que meu corpo padece no sofrimento constante. Não me doem as tuas poucas palavras, as lembranças antigas, o presente do aniversário passado esquecido no fundo do armário. O que gera cada suspiro rasgante e duro em mim são os teus silêncios. Teu olhar distante e tão fundo que diz tanto e tão pouco, dessa forma louca como podem surgir interrogações a partir dos olhos de alguém. Tu olhas pra mim e sinto vontade de gritar tanta coisa, tantos pensamentos insanos e puídos, carcomidos pelas vontades reprimidas e sentimentos guardados debaixo do travesseiro. Eu, no entanto, silencio do primeiro ao último segundo, sem conseguir entender como contrastes tão absurdos podem pertencer ao bater de um só coração.

Tento muito, mas não sei ser parte desse teu mistério existencial. Divido-me em mil tentando decifrar teus raros sorrisos, buscando uma forma de compreender teus passos e decifrar teu jeito de olhar pra mim. Não sei nem mesmo se já fostes capaz de enxergar através dos meus olhos nesses tantos anos, já que tuas reações ao que eu digo ou faço só sabem calar.


Nunca gostei de pessoas óbvias e talvez seja essa a razão do meu querer. Tua facilidade em esconder todo o teu interior me fascina, amor, e já não suporto evitar a vontade diária de dar vazão a tudo o que me fazes sentir. Ter de suportar o peso da tua presença é quase o oitavo pecado capital, mesmo pra mim que nunca dei atenção aos outros sete.


Não peço a verdade por trás dos teus segredos, não peço amor, não peço paz. Só toca meus lábios mais uma vez e me deixa provar o gosto delirante que é constituir parte de um pedaço indecifrável do mundo. Mesmo que tê-lo segurando minha mão seja mais uma das mentiras de que vivo. Mesmo que teus olhos mintam pra mim, sem dó, outra vez.

8 comentários:

Lilian Dalledone disse...

Ai, esse peso não da presença, mas da ausência de tudo que alha a pena... como dói, né...

F. De Leon disse...

Perfeito!

Carolina Pires disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carolina Pires disse...

"Ter de suportar o peso da tua presença é quase o oitavo pecado capital, mesmo pra mim que nunca dei atenção aos outros sete.

Não peço a verdade por trás dos teus segredos, não peço amor, não peço paz. Só toca meus lábios mais uma vez e me deixa provar o gosto delirante que é constituir parte de um pedaço indecifrável do mundo. Mesmo que tê-lo segurando minha mão seja mais uma das mentiras de que vivo."

Não sei comentar sem citar as partes que mais me emocionam, e concluo que é incrível a maneira de como fechas teus textos sempre com chave de ouro. És impecável e eu nao sei descrever todo orgulho e admiração que tenho por ti. Espero não te perder de vista, nunca! Quero-te sempre por perto, pois o nosso perto mesmo distante por muitas vezes, fortalece-me de uma forma indescritível. Felizmente, ou não, eu nao sei mais viver sem ter uma opinião tua ou ler teus textos que por muitas vezes não comento, mas eu sempre encontro-me ali, nas entrelinhas de tudo que desabafas em uma folha de papel. Descreves-me por completo. E tudo o que eu tenho a dizer é: obrigada.

Manuella Secco disse...

"Mesmo que tê-lo segurando minha mão seja mais uma das mentiras de que vivo." Ah, mentirinhas, ando sentindo falta dessas mentirinhas... Mas eu prefiro não tê-las, hihihi. Lindo lindo Isa!
Andei meio sumidinha, mas agora voltei. Ficar esse tempo todo sem escrever e sem dar uma olhadinha nos blogs foi péssimo, to totaaal fora de forma, nem sei mais o que escrever, o que comentar, me sinto uma burrinha hehehe, não vou sumir mais. Beijinhos e melhoras pro nariz

Manuella Secco disse...

Meu Deus, quantos diminutivos no meu comentário........ hahahahha ui

George Luis disse...

Você é o oitavo pedcado capital!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
rs

Gente ... que texto perfeito!

Parabéns

Natália G. disse...

Simplesmente maravilhoso, tuas palavras tocam de uma forma incompreensível, parabéns florzinha :)