sábado, 13 de dezembro de 2008

Manuscritos

"Não, meu bem, não adianta bancar o distante: lá vem o amor nos dilacerar de novo."
- Caio Fernando Abreu, quem mais?






"No canto do olho uma melancolia de açúcar, que hora machuca, hora dá prazer. Um sol gasto fraquejando pelo céu, o rosto alvo e tomado por serenidade ambígua. Queria só voar agora, no silêncio de paz dessa tarde amarela, olhar no horizonte e calada. Bater as asas feito um pássaro nômade e chorar feliz. A calmaria das cores já não me incomoda. Será que é a paz de estar feliz ou o gosto amargo e suicida de não encontrar sintonia com os que me cercam?"

Escrito em 22 de maio de 2008, num fim de tarde entre amigos.




"Não sei o que fazer de mim e dessas paixões que renascem com força em meio a esquecimento e comodidade. Eu sou uma constante inconstância. O amor não me cabe."

Escrito em agosto de 2008, num domingo estranho entre amigos.



"Não sei bem onde é, de onde vem ou como termina. Só sinto a sensação me consumindo em meio a vozes elevadas e risadas sinceras de pura alegria. Repentina, forte, estranhamente comum. Quase íntima. E não a de sempre, com o vazio oco e a face encharcada. Não. Seca por fora, enchente transborando no peito. É felicidade ou isso é ser triste?"

Escrito em outubro de 2008, sozinha em algum lugar.


Viajar é sempre bom. Olhar no espelho de dentro, depois de tanto. E surpreender a si mesma.

- Porto Alegre, 13 de dezembro de 2008.

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