quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Bater de asas


Hoje as palavras acordaram tão, mas tão insuficientes, que o convívio comigo mesma é insuportável ao ponto de impedir uma vida social nesta tarde. E sim, eu sei que não faz o menor sentido, mas nada aqui dentro tem feito, de qualquer forma - bagunça constante.


Passei muito tempo culpando as pessoas, os lugares e as situações. Reclamei que "não era essa a vida", que estava tudo errado, todas essas coisas bonitas e tristes que Caio Fernando Abreu ou Clarice Lispector já disseram um dia. Mas a verdade aparece ao mesmo tempo em que as lágrimas caem, embora eu acorde fingindo que já não sei: o problema sou eu.


As idéias se misturam como um mar de lembranças perdidas em uma mente insana. Já não sei mais o que é meu e o que eu construí, estrutura tão frágil, na tentativa de montar uma pessoa que eu sequer admiraria vendo de fora. Ou sim, não sei. Há muito eu não sei muitas coisas.


É só que me doem essas percepções repentinas da minha própria existência, se isso não ficar filosófico e fútil demais. Meu dom já não é mais algo incrível, nenhum deles. Há quem manipule as palavras melhor do que eu faço, muita gente por aí sabe ser doce de um jeito mais útil e melodias mais bonitas saem da boca de outras garotas de dezesseis anos. Milhares delas.

Cansei de fingir determinação, de inventar uma realidade alternativa que nunca existiu, de passar séculos convencendo a mim mesma de que eu não preciso daquilo que não tenho pra ser forte e feliz. Cansei de sorrir por fora.


Eu definitivamente não sou infeliz. Só queria uma psicóloga e sequer isso consigo concretizar. Tudo isso aqui em cima me dá náuseas, e o que eu quero não é o abraço reconfortante, tão desejado. Eu quero o bater de asas, pelo contrário. Das minhas asas. Só preciso arranjar um jeito de voar.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Fugir ou voltar, fútil



"Tenho uma vontade besta de voltar, às vezes. Mas é uma vontade semelhante à de não ter crescido"


Caio Fernando Abreu, pra não perder o costume. Cinco rascunhos gravados no blog e nada parece verdadeiro pra ser postado.

Época de provas, uma semana de febre alta, formatura da mãe e dois livros terminados. Acho que existe algum tipo de limite em mim. Visível, eu creio. Apesar de as explosões serem agora tão diferentes.


Não tenho conseguido chorar. Parece trágico escrever dessa forma, com essa pontuação, com esse tom, mas é fato que eu ando meio trágica, embora sem lágrimas e desespero constante. O silêncio das minhas dores e o sorriso incerto do espelho têm me feito sentir outro alguém que não eu. E apesar disso eu sorrio o tempo todo, sequer forjando. Mas seca por dentro.


Vontade de voltar ou de pular etapas, ir em frente. Sumir ou surgir. Nunca soube.

Não sei bem o que eu quero, mas não é isso. Nunca é.


Tem alguma janela que eu preciso abrir, aqui dentro ou lá fora, não sei.