sexta-feira, 4 de julho de 2008

Por uma noite (ou Noite de Estrelas)




Estava sentada sem nada importante pra fazer. Uma sexta-feira, um sol, um sentimento. Um dia qualquer, embora diferente de todos os outros. E ela levantou-se pensando em muitas coisas que talvez devessem ser esquecidas ou deixadas de lado pra que tomassem rumo próprio. Não poderia.


Acordou. Por dentro, pois os olhos já estavam abertos há mais tempo. Despertou seu peito, não mais apertado, não mais dolorido, não mais dela. Não mais comum, sequer conhecido. Era um coração diferente daquele que adormecera não sabia quando. Um coração que batia compassado, sem pressa, sem tempestades repentinas.


Sentia que era temporário, como tudo em sua vida. A proximidade do aniversário, canceriana que era, talvez fosse o motivo da sensação de renovação inexplicável. Música lenta nos ouvidos, um teclado à frente, palavras soltas em um momento sem nome nem precedentes. Mapa astral aberto, horóscopo, livro dos sonhos, tudo o que projetasse dez segundos de futuro parecia válido. O que pulsava era bonito e cheio de expectativas. Queria manter-se acordada pra sensação nova e assustadora de se bastar.


Não tinha mais o que dizer. A noite prometia estrelas, no sentido figurado. E ela, por mais que cética pelas promessas anteriores do céu, sentia que não havia muito a perder. Quem sabe abrir os olhos de dentro fosse fechar os de fora, engano de anos. Vai ver intuição era isso.


Um banho quente, roupas bonitas e o perfume suave no ar. E maquiagem. Mas só por fora.

Era hora de sair e tentar levar uma vida um pouco menos planejada e mecanizada. Só por uma noite.

Um comentário:

júlia disse...

aproveita sem medo isso que esperasse por tanto tempo xu, a gente nunca sabe quando vai precisar daquela sensação certa de ser. :)