sexta-feira, 27 de junho de 2008

Roda Gigante.

Isso tudo me cansa, se quer saber. As pessoas, os anos, as cores e os sons. A futilidade, o clichê que me persegue, os dias iguais, os diferentes demais. Dores se acumulam feito pedras no sapato, que ferem aos poucos, rasgam a carne, derramam o sangue. Mas eu não quero usar palavras sensacionalistas ou elevar meus sentimentos. Sou um ser humano comum, sim, desses que saem por aí dançando em festas com os amigos e tocando violão num fim de tarde. E talvez eu nem seja tão diferente assim, ao passo que me escondo e as pessoas podem estar a se esconder da mesma forma, quietas. Mas isso tudo me cansa, não interessa com quem mais acontece.

Me dá um novo tom, pelo amor de Deus. Não quero pensar nas minhas notas, nas minhas confusões, no meu coração de gelatina, na frieza mentirosa e danosa dos meus olhos, no meu avô morrendo e eu aqui sentada. Não quero pensar na droga da "lei da vida" nem no fato de que eu tenho de ser madura por sempre assim ter sido. Não quero sequer saber se estou ferindo alguém a partir de agora, porque firo a mim mesma há muito tempo e não é tão terrível quanto dizem ser. Só quero jogar tudo pro alto, essa coisa louca, parar essa montanha-russa agoniante que de tão fraca já virou roda gigante. Não quero essas palavras, não quero outras, quero escrever sem letras. Não me basta nada disso, nunca. Simplesmente não me basta.

E que ninguém me dê conselhos sobre auto-controle ou espiritismo, ao passo que estes eu conheço bem. E não me bastam agora também. Um turbilhão de coisas na cabeça e tudo o que eu quero é o fim desse barulho insuportável que me estoura os tímpanos, o silêncio. Aumentem o volume do mundo, por favor. Quero ouvir algo diferente daquilo que se passa aqui dentro de mim, alto demais.

3 comentários:

Carlos Martins disse...

Eu percebo o que está passando, e eu respeito o teu tempo que de alguma forma passo a compartilhar. Também percebo bem a pessoa que você é, e justamente por isso te apoio, não quero que sinta certas coisas que talvez tenha sentido por tanto tempo.

Se em algum momento, a confusão fizer doer alguma coisa em você, saiba que agora pode contar comigo sempre simplesmente para ouvir algo diferente.

Bom saber que você toca violão, sinto falta dos solinhos e arranjos que fazia quando tinha alguém para me acompanhar.

FORÇA SEMPRE Isadora, do fundo do coração!

Anônimo disse...

E isso aqui vai te cansar também.Por mais que no início toque,ou não,as palavras apezar de puras e doces,são traiçoeiras e machucam até cansar.Não se move dores com carinhos e consolos,isso é só um terço do ar que se precisa em meio sufocador.Quanta egoísmo,um terço é tanta coisa.Detalhes auto-destrutivo nunca podem deixar de faltar?.E esses dias cinzas vão e voltam como ondas fortes que te empurram pro meio, mas que depois sempre te jogam fora pra aquela areia fria e rala.O que te resta,o que nos resta, é continuar rodando,rodando,rodando.Coisa puída de todos os dias,clichê porco e medonho,mas é que ainda é preciso.E de repente,tão de repente e incerto ainda pode haver cores vivas sem ser o branco assustador em abundância.E acostumada ou não,viver em neblina ainda dói muito,eu sei.

Jéssica disse...

Hei amiga! Que coisa linda. Sempre amo o que tu escreve, mas esse - de verdade - falou por mim!
No meu blog tem um post chamado 'Roda Gigante'também, talvez seja por isso que amei tanto esse aqui! :)
Sucesso pra nós duas, amada!
Te amo demais, saudades!
Beijão