sexta-feira, 27 de junho de 2008

Roda Gigante.

Isso tudo me cansa, se quer saber. As pessoas, os anos, as cores e os sons. A futilidade, o clichê que me persegue, os dias iguais, os diferentes demais. Dores se acumulam feito pedras no sapato, que ferem aos poucos, rasgam a carne, derramam o sangue. Mas eu não quero usar palavras sensacionalistas ou elevar meus sentimentos. Sou um ser humano comum, sim, desses que saem por aí dançando em festas com os amigos e tocando violão num fim de tarde. E talvez eu nem seja tão diferente assim, ao passo que me escondo e as pessoas podem estar a se esconder da mesma forma, quietas. Mas isso tudo me cansa, não interessa com quem mais acontece.

Me dá um novo tom, pelo amor de Deus. Não quero pensar nas minhas notas, nas minhas confusões, no meu coração de gelatina, na frieza mentirosa e danosa dos meus olhos, no meu avô morrendo e eu aqui sentada. Não quero pensar na droga da "lei da vida" nem no fato de que eu tenho de ser madura por sempre assim ter sido. Não quero sequer saber se estou ferindo alguém a partir de agora, porque firo a mim mesma há muito tempo e não é tão terrível quanto dizem ser. Só quero jogar tudo pro alto, essa coisa louca, parar essa montanha-russa agoniante que de tão fraca já virou roda gigante. Não quero essas palavras, não quero outras, quero escrever sem letras. Não me basta nada disso, nunca. Simplesmente não me basta.

E que ninguém me dê conselhos sobre auto-controle ou espiritismo, ao passo que estes eu conheço bem. E não me bastam agora também. Um turbilhão de coisas na cabeça e tudo o que eu quero é o fim desse barulho insuportável que me estoura os tímpanos, o silêncio. Aumentem o volume do mundo, por favor. Quero ouvir algo diferente daquilo que se passa aqui dentro de mim, alto demais.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Do que se vê no espelho. No de dentro.

Ela abriu os olhos e sentiu o calor das cobertas macias. Levantou de um pulo e andou, sem pressa, até o banheiro pequeno que ladeava a porta do quarto escuro. Adjetivos demais.
Olhou no espelho como sempre olhara, sem intimidade, sem paz. Uma estranha no reflexo nítido e tão figuradamente distorcido. O relógio mal marcava sete horas e ela sentia que era tarde pra tanta coisa...

Não quis voltar a dormir. Seu tempo de "foda-se o mundo" se prolongava havia quase três dias e já sentia que tudo estava muito errado. Embora quisesse com todas as forças, não sabia fazê-lo: acordar em um dia qualquer de junho e decidir que não precisa de ninguém também não era a solução, pelo jeito. Precisava mais do que indiferença pra encontrar a resolução da incógnita que ela própria sempre sentira ser.

Não cabem eufemismos ou metáforas no que ela sentiu ao encarar o espelho de novo: era uma menina feia, suja e machucada. Menina. As garotas de dezesseis anos não deviam chamar a si próprias mulher?

E a luz do sol não entrava pela janela naquele amanhecer. Nada além dela, tão dentro do espelho e tão fora de si, como uma projeção enfraquecida e sem cor. Sentia que, se movesse os lábios e tentasse uma única palavra, alguma coisa dentro dela se quebraria para sempre. Não aquilo que os outros, tolos, chamavam amor; isso era pequeno quando comparado àquela sensação aparentemente inata. Era algo muito maior do que qualquer desses sentimentos que reluzem na gente e vez ou outra nos fazem pensar. Era o existir. Sem filosofias, sem crises existenciais, sem melancolia forçada ou meia dúzia de palavras medidas em conta-gotas. Só existir, por dentro. E estranhar a si mesma. Essa coisa de produzir anti-corpos fortes contra a própria essência, simplesmente por não reconhecê-la no coração e na mente. A alma dela não era sua própria morada, triste.

Talvez por isso sentiu o que sentiu. Quem sabe foi esse o motivo de ela ter querido quebrar o espelho à frente, ou a razão a qual não deixou que mexesse sequer um dedo. Não era sua. Não havia um ela, não havia um dela. Era isso, não resta dúvida. O motivo pelo qual seu coração almejava um alguém distante e desconhecido, sem rosto nem voz, estava claro como nunca estivera seu olhar: precisava de um lugar pra ser ela, pra ser dela, pra ser. Não sabia onde era, não sabia em quem. E pouco importava, agora. Dentro dela é que não era.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Reabra as cortinas, por favor.



Acho que eu gosto de não saber.

Às vezes o mundo pega a gente de surpresa, com pedras na mão. Apedreja até que fira, até que a gente sinta que não há mais nada além da dor cegante, do coração vazio e do sangue que escorre em forma de fraqueza e sentimentos fortes, intensos. E sentimos como se não importasse o sol que brilha lá fora, como se as ruas da cidade quisessem devorar nossos corpos com rapidez e gula, como se momentos felizes fossem miragens ou sonhos de um tempo onde ainda se podia sonhar. Tempo que parece ter ido embora, e isso dói. Esperança? Piada. O colorido de uma magia qualquer que a gente sentisse ao encarar os olhos daquele alguém especial, o pulsar do coração num dia de Natal, o dourado de sonhar com algo incrível que aconteceria só em dois ou três anos... Tudo se vai. Nada faz sentido, nada a gente quer, nada quer a gente. Acabou, é o fim, sem mais. Fechem as cortinas e apaguem as luzes do palco, por favor, que o show acabou.

Mas o mesmo mundo que explode em cima da gente, é o que estende a mão e mostra o lado bonito de tudo o que é feio. Porque tudo o que é feio tem seu lado bonito, é preciso lembrar - embora eu também esqueça às vezes.
O sorriso de um estranho na rua já traz ao menos a vontade de voltar a andar. Aquela amiga que te abraça com sinceridade quando tudo o que você pediu foi um lápis emprestado, te passa um resquício de energia, que entra bem naquele lugar que você julgava perdido e morto. E depois vem um filme bonito trazendo esperança, alguém novo na sua vida que com palavras te faz encher os olhos e sorrir pra si, a barra de chocolate com que sua mãe chega em casa, o "me orgulho de ti" que seu pai exclama ao final da leitura daquela redação que você julgava mais ou menos... E a essa altura o calor retorna, o sol parece incrível e o Natal volta a ser esperado com ansiedade e amor. As ruas monstruosas parecem acolhedoras e carregam liberdade em cada esquina. Esperança? Forte e intensa. Tudo muda.

Essa minha intensidade, que eu reclamo dia e noite sem parar, é a mesma pela qual eu agradeço quando as coisas, embora não de volta à seus lugares, não parecem mais tão fora deles. Porque sentir o mundo com todo o peso que ele tem pode sufocar, sim; mas sei que a parte boa disso tudo compensa cada lágrima e cada segundo de desespero. Ou assim eu espero. Que continue sendo, que melhore, que a sensação chegue a outros seres perdidos em sua própria melancolia, ao menos por um ou dois dias. É tempo suficiente pra respirar e mergulhar lá de novo, se assim for preciso.

Eu quero sorrir ainda mais. Dizer mais "bom dia", agradecer mais, fazer um mundo mais bonito no limite que me é concedido. E quando a dor voltar eu até sei que nada disso vai fazer sentido, mas não importa agora. E aos que dizem que tudo isso não passa de tema de filminho americano, eu contesto. Ou será que vivo mesmo meio fora de tudo o que gira com razão e normalidade?

Acenda a luz. Ah, e reabra as cortinas, por favor.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Mais um clichê (ou Até Breve)

Só queria ser enrolada em um cobertor quente e acolhedor, embalada por braços gigantes e afetuosos que me fizessem dormir em alguns minutos, com um cheiro doce pelo ar, uma música suave tocando ao longe e uma mente vazia de problemas e dores.
Existe algum lugar do mundo que não permita a entrada daquilo que machuca e sufoca, me deixando à sós comigo mesma pela primeira vez?

Creio que não. Mas que seria a única chance de eu me conhecer e aceitar por inteiro, ah, isso seria.


Viajar vai me faz bem, apesar do motivo. Ver as pessoas de quem eu gosto, estejam no estado em que estiverem. Saudade morta. De sexta à domingo.
Até breve,

terça-feira, 10 de junho de 2008

Longe de mim




Eu não queria outra vida, não é isso. E eu tenho idéia do quanto pode parecer fútil e imaturo colocar pra fora o que dá nó na garganta em um blog, um lugar público, ainda mais quando o endereço não é algo exatamente secreto. De qualquer forma, embora sempre amendrotada pelo fantasma da possível futilidade, eu sinto vontade e vou sempre fazê-lo. Se aliviar um terço, é lucro e me basta. Que outra opção eu tenho?

Problemas são coisas relativas e superáveis, sei bem. O tempo todo ouço dos outros que tudo se resolve, tudo se vai, que o tempo cura e as coisas se encaixam em seus devidos lugares quando se menos espera. Eu mesma uso desse discursso já bem ultrapassado pra consolar amigos, mas às vezes é difícil crer na própria canção, como eu disse uns dias atrás por aqui. E quer saber? Eu hoje não quero crer em coisa alguma.

Não sei se é sensibilidade, se é imaturidade, se é ser infantil, fútil, pequena ou o que for. Sei que dói aqui dentro ver as coisas desandando, os problemas se acumulando e a vida se instabilizando a cada novo dia, com raras exceções de tempos de paz, os quais eu nunca deixei de agradecer. Dos cinco anos que se passaram desde que eu vim pra essa cidade o estado tem sido sempre de "vamos ver no que dá", de " aguenta mais um pouco que passa", de "eu sei que você é forte, Isa". Legal, talvez eu seja mesmo forte. Mas é demais querer dores condizentes com a minha idade, minha experiência e a fase pela qual eu deveria estar passando?

Eu nunca fui de reclamar. Cresci feliz numa família incrível, sem decepções gigantescas ou situações desesperadoras. Até os meus dez ou onze anos tudo de que eu podia reclamar era do fato de não ter Mc Donald's na cidade onde eu morava ou coisa que o valha. O tempo passou, no entanto, e trouxe o inesperado turbilhão de verdades cuja aspereza eu só esperava conhecer em cinco anos ou mais e, mesmo assim, segui sorrindo pra vida e tentando ajudar meus pais a superar a fase ruim. Só que certas coisas, certas descobertas e certas batalhas deixam marcas complicadas de se ignorar, mesmo depois que tudo passa. Pior ainda quando não passa.

Não, eu não sou infeliz. É só que tenho problemas relativamente grandes, dores inexplicáveis (ou talvez nem tanto) e tristezas repentinas de origem que, embora eu saiba existente, ainda desconheço. As minhas fugas são os livros, meu remédio a escrita, e a proteção meu silêncio verbal. Essa vontade de fugir pra bem longe que ninguém compreende tem mil explicações que eu prefiro esquecer.

Talvez o verdadeiro anseio seja inalcançável. Vai ver eu só preciso de um tempo longe de tudo isso aqui dentro que perturba e fere desse jeito. Não queria saber e enxergar tanto assim.
Quem sabe eu só ande precisando de um tempinho longe de mim.

Passa, tempo, mas passa logo. Vem universidade, vem futuro, vem o jornalismo, a psicologia, o teatro ou seja lá o que for. Só muda tudo isso, por favor. Preciso da proximidade de um destino que dependa, por inteiro, daquilo de que sou capaz.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Fina linha. Fim da linha, não.

É tão fina a linha. Tão fina essa linha que separa a vida da morte, o mundo nosso daquele que tanto tememos, o último suspiro do respirar intenso e eterno que eu, imperfeita, julgo como o depois.
Não sei se tenho medo. Uma coisa é a resposta quando se está filosofando num fim de tarde com os amigos. Quando alguém que amamos está em um leito de hospital, em lençóis transpirados de um suor amendrotado, pelo motivo que é, por uma razão escolhida pra si, embora não se soubesse das consequências antes, a resposta é outra.
Não temo tanto por mim. Não temo por ele, pela sua dor, embora isso me rasgue o peito quando fecho os olhos e imagino que ele agora não enxerga tão bem, que seu corpo incha a cada novo dia e que as palavras amargas de alguém já tomado pela idade e pela vida não saem mais de sua boca com a mesma intensidade. Temo pelo meu pai, por seus irmãos, temo pelo impacto que tudo isso gera em quem ama.

É tão fina a linha. Tão estranho isso, tão estranho que a força possa ser fraca às vezes. Ouvir a voz do meu herói no telefone fraquejar porque o herói dele fraquejou. E será que eu devo fazê-lo também?
Meu avô. A gente nunca dá o valor devido aos avôs por aí, podem crer nisso. Aqueles abraços no Natal, as moedinhas bem-vindas pra comprar chiclete no barzinho da cidade pequena de infância, os abraços apertados e os conselhos exagerados. A gente sorri, diz que ama, sente saudade uma vez por ano, mas não raro esquece de parar e olhar pra ele, pra sabedoria que ele emana, pra força do tempo que não só traz rugas como também marcas no olhar. Esquece desse olhar, que diz coisas incompreensíveis aos sete, estranhas aos doze e aparentemente patéticas aos quinze. Dá pra entender, não é estranho e nem patético. Porque a gente esquece que ter dezesseis é saber menos e querer saber mais.

Fica tudo meio sem sentido. A gente volta no tempo e refaz momentos, tentando concertar erros que talvez nem tenham sido tão grandes assim. Família unida eu sempre tive, é fato, mas quando é que me entreguei por inteiro a uma reunião daquelas anuais, sendo eu mesma e demonstrando toda a admiração e saudade que sinto por todos eles? Por ele, pelo meu avô?
Eu nunca fui eu mesma com meus amigos, meu diário ou minha solidão. Tem alguma Isadora aqui dentro que sequer conhece a si mesma, e eu já desisti de descobrir se isso é a confusão da adolescência ou o reflexo de um coração que diverge dos demais, de uma alma cansada, de um peso íntimo que não mais assusta e veio pra ficar.

Só esperança, então. De que o meu herói retorne à nossa casa com aquele brilho de sabedoria e amor no olhar, e que ele tire esse brilho dos olhos do herói dele. Que ele o recupere também.
"Vai dar tudo certo". Não o tudo que as pessoas dizem o tempo todo que dará e que, não raro, é só ilusão, mas o tudo que eu vejo no horizonte dos meus sonhos, dos meus medos, dos meus arrependimentos e dos meus anseios. Esse tudo movido a amor que eu desejo que dê certo pra ele, pra mim, pra gente. Que caia do céu junto com a chuva que, lenta e suave, começa a passar. E que molhe de vez. Encharque.

domingo, 8 de junho de 2008

Contos de outono - Desamor

Eu olhava nos seus olhos e tentava compreender, achar coisas que eu queria que ali fossem encontradas, desenhando sonhos a seu respeito que talvez não passassem disso, de sonhos, de ilusões pré-fabricadas, e todo o seu sorriso caía sobre mim feito um jato d'água quente num dia gelado em Nova York, e quando eu chegava mais perto admitia em silêncio que seu cheiro era único no mundo, que nada mais poderia cheirar como o seu cabelo, o seu sorriso, o seu olhar e o seu beijo, que eu já nem sei mais se era doce ou não, se era sincero ou se assim queria eu que fosse, então eu encostava minha cabeça no seu ombro e fingia que suas mentiras e seus sumiços me bastavam, que eu não precisava de mais nada, mas nada disso, eu tinha de me levantar, tinha de gritar pra você todas aquelas coisas que eu decorara na frente do espelho, tudo o que me disseram que era preciso dizer, aquelas palavras agressivas que eu encontrei dentro de mim, perplexa, porque eu nunca soube que sabia ser assim, agressiva, ainda mais com você, cuja agressão mascarada de doçura me encantava, e então eu enconstava a cabeça no seu ombro e fingia que tudo aquilo me bastava, que eu estava feliz, que isso era a vida e que não precisava mais nada, mais nada, mais nada pra que eu pudesse dormir sem culpa nem dor na noite que surgia, lenta, enquanto você estava ali, e por mais que eu não soubesse quanto tempo ficaria, eu sorria, estática, uma felicidade ignorante percorrendo os olhos em luz, teu cheiro invadindo o lugar, meu corpo, teu corpo, tudo errado e tão certo quanto poderia ser, na vida, no céu, no frio das cobertas quentes ou no escuro de um dia de sol, porque éramos eu e você e minha cabeça estava sobre o seu ombro, mais nada, nada mais, tão raro, tão doce, tão suficiente por dez segundos e alguns milésimos e uma lágrima ausente de adeus e promessas soltas e fim.

No rodapé de Caio (ou Avulsos de Junho)

"Me engolem essas doses de melancolia agridoce que eu sorvo com o fervor de um ser sedento de água em Marte. Minha constante inconstância me assusta a cada amanhecer de encarar o espelho de dentro. Não é fácil ver a alma desnuda em páginas assinadas por outro nome que não o meu".
- De 4/06/08, às o9h01min, no rodapé de O Ovo Apunhalado, página 42, acima de "Ascenção e queda de Robhéa, manequim e robô".

"Dessa loucura sã eu tiro o néctar da sobrevivência de toda a minha insanidade interior. Não posso perdê-la. Há tanto mais em tudo isso do que eu consigo explicar em palavras,"
- Sem data, no rodapé de O Ovo Apunhalado, página 59, abaixo de "Uma Veste Provavelmente Azul".

"Me deixa mergulhar em um desses contos, quem sabe no meu favorito ou no mais apavorante deles, pra que as frases me consomam, o cheiro de ausência das folhas fique impregnado no meu corpo, pra que o tempo passe a ser contado em páginas e os sentimentos se evaporem na velocidade de um virar de folhas, pra que eu seja muitas sem culpa nem vergonha, pra que a futilidade me liberte de suas garras, pra que a realidade chore dores que não as minhas, amém."
- Sem data, no rodapé de O Ovo Apunhalado, páginas 60/61, abaixo de "Eles", pra mim o melhor conto de Caio Fernando Abreu.

"É como uma febre"
- Sem data nem sentido, no rodapé de O Ovo Apunhalado, página 64, em meio à perplexidade de "Eles".




Pra terminar, um conselho: pra quem quer sonhar, uma boa fantasia. Mas se o desejo é realidade com gosto de imaginação e verdade, dessas que encantam e assustam, ao mesmo tempo, é Caio Fernando Abreu sempre. Recomendo... Por sua conta e risco.
Efeitos colaterais: indisponível


,não tem importância que você não compreenda isso, porque estou acostumado com a incompreensão alheia, com a minha própria incompreensão, mais do que tudo.
- Caio.